| O cd Uma Beleza Estranha, do cantor,
compositor e arranjador Daniel Taubkin, é o terceiro álbum de sua carreira. Daniel
busca, com a voz e o piano, a essência, o coração das canções. Para isso, convidou
Arrigo Barnabé e Benjamim Taubkin para que, mais do que acompanhá-lo, eles
compartilhassem de um universo musical de imagens oníricas, diáfanas e puramente
românticas. Valsas, sambas-canções, músicas fellinianas e jobinianas; a voz de Daniel passeia por ritmos distintos, dissonâncias, e ganha uma tessitura de sentimentos, cores e sons que revelam um intérprete maduro e completo que, com propriedade, amplia a emoção da arte de cantar. A beleza do disco de Daniel Taubkin reside não apenas na escolha de um repertório refinado, tampouco na companhia de músicos competentes - o cantor conta ainda com participações especiais de Teco Cardoso e Rodolfo Stroeter. Ela está presente na sensação que fica após cada audição: a de que a música nos levou a um universo de sonhos e magia, em que tudo é tão inesperado e, ao mesmo tempo, tão familiar. Talvez por isso, o disco seja assim de uma beleza tão rara, tão estranha. |
A Strange Beauty, the new album released by
the singer, composer, and arranger Dan Taubkin, is basically a quintessential voice and
piano project in wich he reaches for the essence, the heart of the songs. With this
purpose in mind, Daniel invited the exquisite composer Arrigo Barnabé and great pianist
Benjamim Taubkin, his brother, for a unique encounter where they could share a musical
universe full of diaphanous, oeniric and purely romantic images. Waltzes, slow sambas, classical vanguard, fellinian and jobinian songs: Daniel Taubkin's voice strolls through distinct rythms, dissonances, and gains a texture of feelings, colors and sounds wich unveils a mature and fully developed singer, capable of extending the emotions to beyond his singing skills. The beauty of Daniel Taubkin's cd resides not only on the refined repertoire or due the company of fine musicians - such as the special guests, Teco Cardoso and Rodolfo Stroeter -, but its also sensed by the impressions and sensations left after each audition: that the music has led us through a world of dream and magic, where everything is so unexpectable and at the same time, so familiar. And maybe, that's the reason why it is of such a rare, strange beauty. |
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| ficha técnica 1. Disse Alguém - Fernando Marinho Falcão 2. Pote de Ouro - Daniel Taubkin/ Ciro Pessoa 3. Todo Coração - Arrigo Barnabé/ Eduardo Gudin/ Roberto Riberti 4. O Navio - Daniel Taubkin/ José Wilson Lopes 5. Londrina - Arrigo Barnabé 6. As Cores - Daniel Taubkin/ Fernando Marinho Falcão 7. Luar - Arrigo Barnabé 8. As Dádivas do Amante - poema de Carlos Pena Filho/ música de Daniel Taubkin 9. Cidade Oculta - Arrigo Barnabé/ Eduardo Gudin/ Roberto Riberti 10. Caprichos - Poemas de Fagundes Varela e Castro Alves/ Música de Daniel Taubkin 11. Astronauta Perdido - Arrigo Barnabé 12. Sky of my blues - Arrigo Barnabé/ Hermelino Neder/ Carlos Rennó 13. Sinhazinha em Chamas - Arrigo Barnabé 14. Fim (Lástima) - Arrigo Barnabé Daniel Taubkin voz e violão Arrigo Barnabé piano acústico (Yamaha G5) e voz em Luar Benjamim Taubkin piano acústico (Yamaha G5) Participações afetivas Teco Cardoso flautas baixo e em sol em Pote de Ouro Rodolfo Stroeter contrabaixo em Disse Alguém Gravado no Nosso Estúdio, em São Paulo, em 24 canais analógicos, por Luizinho Mazzei Mixado e masterizado no Mosh Estúdios, em São Paulo, por Sandro Estevam e Walter Lima Mixagem produzida por Rodolfo Stroeter Concebido e produzido por Daniel Taubkin |
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| algumas palavras sobre o cd |
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| Após a realização de três CDs (*), que me
deram muita satisfação, formados de composições próprias e em que tive a
colaboração de mais de uma centena de competentes e generosos músicos, resolvi para
esse meu novo projeto, além de incluir material de outros autores, optar por uma
formação mais compacta, baseada na voz e em dois pianos como figuras centrais, dando
ênfase à essência, ao coração das canções. As escolhas não poderiam ter sido mais felizes: Arrigo Barnabé e Benjamim Taubkin. Dois mestres em seus ofícios que têm em comum um comprometimento ético, atávico com a beleza, a singularidade, a discrição e o bom humor. Escolhi entre minhas canções aquelas que pudessem conversar com o piano de Benjamim e com a obra de Arrigo e que ao final lográssemos produzir uma trilha homogênea, com luz própria, que pudesse conduzir o ouvinte a uma viagem poético-sonora. Com Benjamim, gravei "Disse Alguém" do querido inventor paraibano Fernando Falcão (que ascendeu em Londrina, onde eterno transluz), canção que abre o disco, e mais cinco composições minhas: "Pote de Ouro", parceria com o instigante turista acidental Ciro Pessoa, "O Navio", parceria com o saudoso guerreiro José Wilson Lopes, composta em 1985 (no calor de um convite de Dori Caymmi para cantarmos juntos numa série de shows, onde apresentei essa música pela primeira vez); "Caprichos" são dois poemas dos contemporâneos Fagundes Varela e Castro Alves, que musiquei nos 80 para um projeto ainda inédito do dramaturgo e romancista José Antonio de Souza; "As Dádivas do Amante", apesar de escrito no final dos 50, é um clássico poema do pernambucano Carlos Pena Filho, o poeta do azul, a cuja obra fui apresentado, garoto, em Olinda, pelos luminares Ladislau Porto e Eufrásio Barbosa. E tem "As Cores", música minha que foi pintada pelas letras mágicas e surrealistas de Fernando Falcão. Toco violão em algumas faixas. Em "Disse Alguém" surge também o baixo do Rodolfo Stroeter, em contraponto com o piano do Benjamim. Em "Pote de Ouro" aparece só um teco das flautas do Manuel Carlos Cardoso, tão bonitas. Em "O Navio" ouve-se um lindo solo do meu irmão. A introdução em "Caprichos" é feita em tom maior, pelo poema À..., de Fagundes Varela, dedicatória à esposa Alice publicada em seu Livro Segundo de Cantos e Fantasias, de 1864, e a valsa introduzida em tom menor, é o poema Capricho, de Castro Alves, escrito em 1865. "Dádivas" acabou virando uma bossa/modinha que parece nos remeter àquele tempo filosófico de Paulinho da Viola. Em "As Cores", Benjamim gravou vários canais diversificando timbres, regiões e tessituras do piano forte, como num canvas, numa tela. Falei da minha vontade em cantar canções do Arrigo, primeiramente ao professor e maestro Claudio Leal Ferreira. Queria ter a oportunidade de apresentar músicas desse inventor uma oitava abaixo, já que as mesmas até então, tinham sido gravadas - em sua maioria - por mulheres. Em 1998, assistindo ao bonito espetáculo de Caetano Veloso no Beacon Theatre em NYC, por ocasião do lançamento do seu disco Livro nos EUA, ao introduzir uma nova canção, eu o vi vestindo os óculos e em tom quase solene proferir um discurso em inglês, inteligente e bem articulado em que ele fazia analogias entre a música popular e a erudita contemporâneas, enquanto lia trechos de sua Verdade Tropical e mencionava, entre outros, John Cage, Schoenberg, Stravinsky, Berio, Stockhausen, Philip Glass, rap e música eletrônica. E concluiu cantando "Doideca", uma composição sua que é puro Arrigo Barnabé. Bastava tê-lo mencionado. Mas não o fez...Acho que foi naquele momento que nasceu o desejo de gravar Arrigo Barnabé. Daniel Taubkin (*) BRAzSIL (Blue Jackel, USA-Indigo/Exil, Europa-1998- Trama, Brasil - 2000), A PICTURE OF YOUR LIFE (Blue Jackel/Lightyear/WEA, USA - 2002) e CINEMA DE RUA (inédito)
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| "Lástima (FIM...)" foi a primeira
canção que escrevi. Em 1973, em Londrina. A música "Clara Crocodilo" já
havia sido apresentada nos shows Na boca do bode, mas Clara não era canção. E eu sentia
necessidade de fazer melodias por duas razões: primeiro, por gosto e depois por
exercício. Engraçado, minha primeira canção começa com um trítono (intervalo de 3
tons, paradigma da dissonância). Era um período de desesperança, ditadura, repressão,
censura... "Londrina" eu fiz em 1978/1979, já em São Paulo. É meio felliniana, memórias da minha cidade. Também era tentativa de afirmação geográfica, tipo "Sou do Paraná". Quem diria, virei paulistano. Os acordes de 4ª continuam presentes como em "Lástima", mas já num universo lírico, com caminhos inesperados. "Sinhazinha em chamas" é de 1981. Eu penso nela como uma modinha, cheia de segundas pessoas e palavras "velhas" como carmesim. Acho muito "brasileira" essa canção. "Cidade Oculta" de 1985, parceria com Eduado Gudin e letra de (Roberto) Riberti, já traz a marca do profissionalismo dos parceiros, com um acabamento redondo, competente mesmo. "Astronauta perdido", eu fiz em 1984. Gosto muito dessa canção, da letra e da música, muito bem resolvida, começando dodecafônica, mas muito espontânea, com a condução da mão esquerda criando uma atmosfera estranha e atraente. "Sky of my blues", que a exemplo de "Cidade Oculta" foi tema de filme (A Dama do Cine Shangai) é uma canção do Hermelino Neder e Carlos Rennó. Eu fiz apenas os compassos iniciais, de "Because..." até "...heaven". Também uma canção redonda, bela, letra particularmente feliz de Rennó. "Todo Coração" reúne novamente os parceiros de "Cidade Oculta". Engraçado que a primeira parte é um tema que eu fiz para o filme Janete, de Chico Botelho, de 1983, era um tema para um palhaço, interpretado pelo Luiz Armando Queiroz. O Riberti gostou muito dessa pequena valsa e começou a escrever a letra. E o trabalho só foi retomado em 1996, quando o Gudin fez a belíssima 2ª parte, e finalmente em 2000, o Riberti terminou a letra. Que história!! "Luar" é uma valsa de 1995, e eu escrevi a letra em 2000. Foi a última letra que escrevi, estou em outra orientação agora, outros caminhos... a música eu escrevi sob o impacto da morte de Tom Jobim. A letra começou a surgir durante uma pneumonia, em julho/agosto de 2000. Também cheia de palaras antigas, velhas, palavras que minha mãe gostava como: flamboyant, quedou (do verbo quedar), grinalda, falenas (noite alta céu risonho...e as estrelas tão serenas qual dilúvio de falenas...). E também de soluções encontradas por Augusto de Campos para sua versão do "Pierrot Lunar", de Schoenberg... flores-luz... eu vou morrer de brancura (morro de brancura)... Bom, aí apareceu o Daniel (Taubkin), que eu não conhecia, e chegou cheio de entusiamo, mas eu achei que nunca daria certo um projeto comigo ao piano, já que eu não tenho exeperiência de acompanhar cantores, pois como pianista eu sou um compositor. Mas ele insistiu, disse que era isso que ele queria, e foi me convencendo...(Até a fazer o piano em "Sky of my blues). Eu gosto muito da forma como ele canta essas canções, me identifico com essas interpretações. Bem, prá resumir, foi o encontro do otimista com o pessimista. E ficou muito legal. Arrigo Barnabé
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| Irmãos - esta palavra que tantos significados
tem em nossa cultura. Tão próximos por um lado, e com experiências tão diversas, por
outro... O universo da música sempre nos aproximou; embora tenhamos tocado tão pouco juntos em nossas vidas. A minha participação neste disco é, acredito, para nós, uma espécie de recuperação deste hiato. Ao Daniel sou grato por várias razões. Pelos sons que entraram na minha infância, e princípio da adolescência, por ele trazidos. Pelo seu afeto. E por aproximar pessoas queridas. E por compor, em sua vida, canções tão bonitas que tornam tão musicais estes encontros. Esta, a minha metade. Mas o cantor especial aparece na outra, com o Arrigo. Daniel faz parte desta tradição, um pouco desaparecida em nossos dias, dos intérpretes da canção brasileira. A modinha, a valsa, estão todas aí. A leveza e a densidade das lindas composições do Arrigo, estão inteiras na compreensão e no canto de Daniel Taubkin. Benjamim Taubkin
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| Com açúcar, com afeto De alguma maneira, vou construindo com pessoas que me cercam elos de vida. Sou elado com pessoas. De alguma maneira possuo um elo com todos os Taubkin. Benjamim, Míriam, Daniel e João Mário fazem parte do meu universo afetivo e musical.Juntos realizamos muitos projetos, idéias e troca de música. Daniel é uma antena perceptiva e sensível. Sabe captar e transformar sua antena numa expressão vocal de grande qualidade (fato raro num Brasil de cantoras).Compositor de fina sensibilidade, leitor de mão cheia (conhece poesia e compõe para textos com fina argúcia), é também um oculto humorista e um agitado personagem da paulicéia desvairada. A um só tempo, o CD combina autores de universos distintos, como o pouco e injustamente conhecido Fernando Falcão, o próprio Daniel, e ainda promove uma reeleitura deliciosa da composição de Arrigo. Eu disse a Daniel e acho que o Arrigo é um seresteiro do século 21. No entanto, pela primeira vez, ouço com clareza e nitidez, todas as nuances composicionais que a música dele contém. Corajoso como linguagem, a música aqui contida é de uma nudez que jamais será castigada. Trazendo o próprio Arrigo ao piano (que delícia ouvir um compositor tocando sua própria música!) , além da presença sempre sensível e econômica de Benjamim. Um piano e voz, ou melhor pianos e vozes que vão passeando pelo ouvido da gente. Às vezes aparece um violão daqui, uma flauta dali, um baixo muito discreto. E pronto. Música que flui e faz pensar na possibilidade da diferença e na similaridade do oposto. Castro Alves, Barnabé, Taubkin, Fernando Falcão, Carlos Penna Filho, etcéteras. São vozes de dentro do Brasil. São imagens e cores de um universo inteligente e sensível. Muitos votos de Com açúcar e afeto para todos que ouvirem. Rodolfo Stroeter
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| É raro ver personalidades musicais diferentes se
integrarem com naturalidade ao realizarem um projeto conjunto. No entanto, é o que ocorre
em "Uma Beleza Estranha" onde a emoção sempre à flor da pele de Daniel
Taubkin e o espírito especulativo de Arrigo Barnabé se abraçam. Para Daniel, num primeiro momento, esse encontro, entre outras coisas, certamente significou o desafio de se lançar na teia traiçoeira das melodias de Arrigo. O que para Arrigo foi ótimo, já que lhe propiciou a oportunidade de, pela primeira vez, contar com um bom número de suas músicas gravadas por uma grande voz masculina. A forma que Daniel encontrou para superar o desafio, como cantor de expressividade não erudita, foi não fazer da perfeita realização das angulosidades dissonantes do fraseado de Arrigo sua maior preocupação - embora tenha se saído perfeitamente bem nessa tarefa. Em vez disso, poeta que é, sabiamente permitiu que suas habilidades e nuances interpretativas fossem guiadas, fundamentalmente, pela riqueza sugestiva dos textos, e o fez de forma tão convincente, que as acrobacias do fraseado - normalmente um inevitável foco de atenção da audição na música de Arrigo - ficaram relegadas a um segundo plano, como se pertencessem a canções populares familiares do nosso dia-a-dia. Belezas talvez não tão estranhas, mas nem por isso "menos belas", são as demais canções presentes no CD, que mostram, em sua maioria, o Daniel compositor de volta com grande força, deixando mais uma vez no ar a indagação que já vem de muito tempo: por que as principais vozes brasileiras o esquecem? Enfim, trata-se de um trabalho originalíssimo, feliz encontro de imensas sensibilidades musicais. Cláudio Leal Ferreira
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| letras |
lyrics |
| Disse Alguém Música e letra: Fernando Marinho Falcão Disse alguém Sem querer Que o amor parece Um carrossel No céu. Eu girei Sem parar Tonto de tantas voltas No ar
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Someone said Music and lyrics: Fernando Marinho Falcão Someone said Casually That loves resembles A merry-go-round in The sky I turned around And around Dizzy with all the spins In high air
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| Pote de ouro Música: Daniel Taubkin Letra: Ciro Pessoa Seu silêncio é mais que um pote de ouro Tesouro, me faz esquecer São pegadas na areia da praia deserta O que resta, o que fica, o que vai Sua voz quando fala amplifica Multiplica o sentido e a vida me traz O que sou Sou a sombra da voz que você irradia De dia, a noite se faz Sou o vento lá fora soprando aqui dentro O centro incerto no ar Sua voz quando fala amplifica Multiplica o sentido e a vida me traz O que é Seu silêncio é uma flecha num alvo vazio Alívio, desvio e paz É uma pluma dançando na beira de um rio Viaja no nada Seu silêncio é uma flecha num alvo vazio Alívio, desvio e paz É uma pluma dançando na beira de um rio Viaja no nada e cai. * ciao amore, ciao amore, ciao (* Música de Luigi Tenco)
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Pot of gold Music: Daniel Taubkin Lyrics: Ciro Pessoa Your silence is more than a pot of gold A treasure, it makes me forget Like footprints in the sand of a Deserted beach - What remains, what stays and what goes. When you speak Your voice amplifies Multiplies the meaning And life brings me to who I am. I am the shadow of The voice you reflect daily Night falls I am the outside wind blowing inside The uncertain center in air When you speak Your voice amplifies, Multiplies the meaning And life brings me What it is Your silence Your silence is an arrow On an empty target Relief, detour and peace It is a feather dancing by the river side Which travels on nothingness And falls
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| Todo coração Música: Arrigo Barnabé e Eduardo Gudin Letra: Roberto Riberti A glória de um coração É ser todo senhor do amor Não é saber sofrer uma saudade Nem é estar a dar felicidade É sustentar nas mãos a chama da paixão Pra se aquecer, e se embeber com seu calor A glória de um coração É ser todo senhor do amor Não é viver ou ter a realidade Nem compreender porque um sonho arde É escrever a trama de uma ilusão Pra ser o som, pra ser a luz e o ator Porque assim é todo coração Que tem por dom a sua liberdade E não há bem ou mal Que cale a emoção De um coração que quer se deslumbrar Com o seu poder de amar...
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Full heart Music: Arrigo Barnabé and Eduardo Gudin Lyrics: Roberto Riberti The glory of a heart Is to be love's master Its not to suffer from nostalgia Not even to go on bestowing happiness For its to hold in one's hand the flame of passion To derive warm and be swept away by its heat The glory of a heart Is to be love's master It is not to live or pursue reality Nor to realize why a dream goes up in flames It is to write the plot of an illusion To become the sound, the light and the actor For thus is every heart with freedom as a gift And there's no good or evil That could silence the emotion Of a heart which longs to be bewildered With its loving power.
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| O Navio (Gravação dedicada a José Wilson Lopes) Música: Daniel Taubkin Letra: Daniel Taubkin e José Wilson Lopes Ver navios é viver Ver navios é perder Ter navios é poder O vazio, solidão Ver navios é ceder Ver navios é morrer Ser navio é romper Vida, fio, luz, paixão. Vai a noite, Vira o dia Todo dia esse sonho Aprendiz Longe o barco, O farol Céu aberto, um deserto Nesse mar E sopra o vento Longe a ilha Longe vai...
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The ship (For José Wilson Lopes) Music: Daniel Taubkin Lyrics: Daniel Taubkin and José Wilson Lopes Watching ships means to live Watching ships means to lose Owning ships means to rule The emptiness, the loneliness Watching ships means to let go Watching ships means to die Being a ship means to break through Life, thread, light, passion Night vanishes Bringing in the day Every day this rehearsal of a dream Far is the boat The lighthouse In the open sky, This desert sea And the wind blows Far away is the island, Away it goes
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| Londrina (Gravação dedicada a Fernando Marinho Falcão) Música e letra: Arrigo Barnabé Nuvens vermelhas no céu Na terra silêncio, uma ave voava O rádio anunciava a ave-maria E dava uma saudade Uma tristeza estranha Uma vontade de chorar Uma vontade de chorar Ai, ai E a noite descia tranqüila E a noite envolvia Londrina Olha quanta luz no céu Olha um avião voando sozinho Sobre o perobal E a sanfona tocava uma valsa triste E a cabocla de flor nos cabelos Cantava pra lua.
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Londrina (For Fernando Marinho Falcão) Music and lyrics: Arrigo Barnabé Red clouds in the sky Silence on Earth, a bird flew over The radio announced the sixth hour And we felt so nostalgic A strange sadness A desire to cry A desire to cry Ai, ai And night fell peacefully And night embraced Londrina Look at the lights in the sky Watch, there's an airplane flying All alone over the peroba trees And the accordion played a sad waltz And the native girl with a flower in her hair Sang to the moon.
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| As cores Música: Daniel Taubkin Letra: Fernando Marinho Falcão As cores que banham, pintam Desenham meu ninho Como um hipopótamo no ar Peço que sempre que aconteças Tenhas tudo o que desejas Sejam as cores do mar Mariana do rio Mariana do ninho Mariana do cio Aripuá Mariana desejos Mariana sorrisos É beijo sobre beijo Amor sob o luar São casas encantadas São águas cristalinas É ninho sobre ninho Desejo de mar Sou peixe por acaso E lágrimas são setas Carentes e discretas Como a luz do luar As cores que banham, pintam Desenham meu ninho Como um hipopótamo no ar Peço que sempre que aconteças Tenhas tudo o que desejas Sejam as cores do mar.
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The colours Music: Daniel Taubkin Lyrics: Fernando Marinho Falcão The colors that wash and paint Draw my nest Like a hippo in mid-air I beg that whenever you go May you have whichever you wish for As the colors of the sea Mariana from the river Mariana from the nest Mariana in heat Aripuá Mariana desires Mariana smiles A kiss over a kiss Love under the moonlight They are enchanted houses They are crystalline waters A nest over a nest longing for the sea I am an accidental fish And my tears are needy And discrete darts As the moonlight The colors that wash and paint Draw my nest As a hippo in mid-air I beg that whenever you go May you have whichever you wish for As the colors of the sea.
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| Luar (Gravação dedicada a Antonio Carlos Jobim) Música e letra: Arrigo Barnabé Fluiu, Floriu triunfalmente o luar Brancura doce, Infiltrando a noite As flores-luz da lua vã, Um grifo vem sonhar Sussurram rãs, sussurram folhas Farfalham as falenas E onde a cotovia grinfa Agora crispam rouxinóis E a brisa brinca entre os flamboyants Eu vou morrer de brancura a seus pés Onde, luar, estará meu amor? Muda quedou, a grinalda suspensa E a nuviosa alma chora triste mas no céu Fluiu, Floriu triunfalmente o luar Resplandescente, Implacável alvo A clara luz delineou, Nas sombras os jasmins E no jardim um trovador Inflama os corações: Será que não existe amor, Será que é tudo ilusão? E a lua entre as nuvens se ocultou.
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Moonlight (For Antonio Carlos Jobim) Music and lyrics: Arrigo Barnabé The flow - triumphantly Florescent moonlight Sweet whiteness Infiltrating, filtering the night A griffen comes and dreams about Flowers sprung by the vain moon Frogs whisper, leaves whisper Moths swagger and Where the lark used to twitter The nightingale now chirps And the breeze plays with poincianas I shall die of whiteness at your feet Where, oh moonlight, might my love be? In silence she kept - her bridal wreath suspended And the overcast soul sadly cries, but in the sky The flow - triumphantly Florescent moonlight Resplendent, A deadly target The clear light delineated, Jasmines in the shadows And in the garden a troubador Ignites emotion: Could there be no love? Could all be an illusion? And the moon hid herself amongst the clouds.
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| As Dádivas do Amante Poema: Carlos Pena Filho ( in "Vertigem Lúcida"1958 ) Música: Daniel Taubkin Deu-lhe a mais limpa manhã Que o tempo ousara inventar Deu-lhe até a palavra " lã" E mais não podia dar Deu-lhe o azul que o céu possuía Deu-lhe o verde da ramagem Deu-lhe o sol do meio dia E uma colina selvagem Deu-lhe a lembrança passada E a que ainda estava por vir Deu-lhe a bruma dissipada Que conseguira reunir Deu-lhe o exato momento Em que uma rosa floriu Nascida do próprio vento Ela ainda mais exigiu Deu-lhe uns restos de luar E um amanhecer violento (Que ardia dentro do mar) Deu-lhe o frio esquecimento E mais não podia dar. |
Lover's gift Poem: Carlos Pena Filho [in " Vertigem Lúcida" 1958] Music: Daniel Taubkin The clearest morning That time have ever dared to invent was given Even the word "wool" was given And more he could not give The blue the sky possessed, The green of the brush and The noontime sun were given And a wild mountain too The past remembrance was given And that wich was still to come A dissipated mist, That he had collected was given Born of the wind itself, The exact moment In wich the rosebud bloomed Was given, She demanded even more Moonbeam remains And a violent dawn (Wich burned into the sea) were given Cold forgetfullness was given And more he could not give.
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| Cidade Oculta Música: Arrigo Barnabé e Eduardo Gudin Letra: Roberto Riberti Na cidade só chovia Noite imensa, só havia Luminosos, agonia E a vida escorria pela escuridão Nossas ruas eram frias Como os homens desses dias Engrenagens tão sombrias Esquecidas pelos deuses a pulsar em vão. Misteriosamente uma andróide Gritou docemente Me mostrou a vida, me encheu de cores Desenhando um holograma em meu coração Com seus olhos foi pintando um dia Reinventando a alegria Brancas nuvens de verão E a poesia de repente volta a ter razão. |
Hidden city Music: Arrigo Barnabé and Eduardo Gudin Lyrics: Roberto Riberti It just poured in the city Only billboards were lit In the endless night And life slid through the Agonizing darkness Our streets were as cold as Men of such times - Pulsating in vain like Sullen gadgets Forgotten by the gods Mysteriously, an android Yelled sweetly Showing me life She filled me with colors Drawing a hologram In my heart She painted a day with her eyes Re-inventing happiness White summer clouds And poetry, suddenly, Made sense again.
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| Caprichos Poemas: Fagundes Varela (1864) e Castro Alves (1865) Música: Daniel Taubkin Pensava em ti nas horas de tristeza Quando estes versos pálidos compus; Cercavam-me planícies sem beleza, Pesava-me na fronte um céu sem luz. (Mas) ergue este ramo solto em teu caminho; Pois sei que em teu seio asilo encontrará! Só tu conheces o secreto espinho Que dentro d'alma me pungindo está!... Ai quando brando vai o vento lento A lua, nua a perpassar sútil E a estrela vela e sobre a linfa A ninfa suspira, mira o divinal perfil Num leito feito de cheirosas rosas Risonhos sonhos sonharemos nós Revoltos soltos teus cabelos belos Vivace, a face tremulante a voz Cantos e prantos que suspira a lira A alfombra a sombra encontrarei para ti Celuta, escuta de meu seio o enleio Vem linda, ainda há solidões aqui.
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Caprice Poems: Fagundes Varela (1864) and Castro Alves (1865) Music: Daniel Taubkin I thought of you in my sad moments When I wrote this pale poem I was surrounded by course plains My head burdened by a lightless sky So lift this loose branch in your path As deep inside you will find shelter You are the only one who knows The secret thorn that stings inside my soul Oh, when calm goes the slow wind To the naked moon subtle passage And the star veils and over the lymph The nymph sighs behold the divine profile In a bed made of fragrant roses Laughing dreams we will dream Rebellious, free your beautiful locks Vivacious face tremulous voice Chants and cries the lyre sighs On the shadow, the lawn I will find for thee Celuta, listen from my bossom the bond Come beautiful, still there are solitudes here.
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| Astronauta perdido Música e letra: Arrigo Barnabé Há muitas naves pelo espaço Todas procuram O astronauta perdido Ele viaja sozinho Buscando a estrela mítica Galadriel, Galadriel É o veterano da amargura É o vagabundo do espaço Nem Blade Runner Nem Flash Gordon Um astronauta perdido.
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Lost astronaut Music and lyrics: Arrigo Barnabé There are many spaceships Looking in space for The lost astronaut He travels alone Searching for the mythic star Galadriel, galadriel A veteran of grief A wanderer of space Neither
Blade Runner
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| Sky of my blues Música: Arrigo Barnabé and Hermelino Neder Letra: Carlos Rennó Because you were mine And love was divine So I was in heaven What happened to us I haven't forgotten anymore Because love was new And I was with you In your paradise Where there were two skies Your blue eyes and many more But I had to lose The blue of your sky Now I have to try The sky of my blues Now I miss your kisses, darling But even so I'm in a kind of eden For everything remains divine In this pain of mine. |
Céu da Minha Tristeza Música: Arrigo Barnabé and Hermelino Neder Letra: Carlos Rennó Porque você era minha E o amor era divino Eu estava no céu; O que aconteceu pra nós Eu não esqueci mais, Porque o amor era novo E eu estava com você No seu paraíso, Onde havia dois céus, Seus olhos azuis, E muitos mais... Mas eu tive que perder O azul do seu céu; Agora eu tenho que experimentar O céu da minha tristeza Agora eu sinto falta de seus beijos, Querida, mas mesmo assim Eu estou numa espécie de éden, Pois tudo permanece divino Nesta minha dor.
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| Sinhazinha em chamas Música e letra: Arrigo Barnabé Sinhazinha contigo Eu sonhava Toda em chamas Delirava Entre as sombras da noite Tu vinhas Me entregavas Tão macia Teus cabelos Como seda Tua pele De princesa E cedias Tua boca Pouco a pouco Carmesim.
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Sinhazinha in flames Music and lyrics: Arrigo Barnabé Sinhazinha, I dreamed About you All in flames Delirious You came in the midst of The night shadows And offered yourself To me so softly Your hair was as silk Your skin of a princess And little by little You gave me your Crimson lips.
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| Fim (Lástima) (Gravação dedicada a Itamar Assumpção) Música e letra: Arrigo Barnabé Olha, desculpa Eu não cantar mais Pra você É que também Com tanta coisa Acontecendo Acontecendo... Eu não consigo mais Falar de amor.
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The End (For Itamar Assumpção) Music and lyrics: Arrigo Barnabé Look, excuse me Not singing for you anymore You see, with so many things Going on out there I simply just cant talk About love anymore.
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