O cd Uma Beleza Estranha, do cantor, compositor e arranjador Daniel Taubkin, é o terceiro álbum de sua carreira. Daniel busca, com a voz e o piano, a essência, o coração das canções. Para isso, convidou Arrigo Barnabé e Benjamim Taubkin para que, mais do que acompanhá-lo, eles compartilhassem de um universo musical de imagens oníricas, diáfanas e puramente românticas.
Valsas, sambas-canções, músicas fellinianas e jobinianas; a voz de Daniel passeia por ritmos distintos, dissonâncias, e ganha uma tessitura de sentimentos, cores e sons que revelam um intérprete maduro e completo que, com propriedade, amplia a emoção da arte de cantar.
A beleza do disco de Daniel Taubkin reside não apenas na escolha de um repertório refinado, tampouco na companhia de músicos competentes - o cantor conta ainda com participações especiais de Teco Cardoso e Rodolfo Stroeter. Ela está presente na sensação que fica após cada audição: a de que a música nos levou a um universo de sonhos e magia, em que tudo é tão inesperado e, ao mesmo tempo, tão familiar. Talvez por isso, o disco seja assim de uma beleza tão rara, tão estranha.
A Strange Beauty, the new album released by the singer, composer, and arranger Dan Taubkin, is basically a quintessential voice and piano project in wich he reaches for the essence, the heart of the songs. With this purpose in mind, Daniel invited the exquisite composer Arrigo Barnabé and great pianist Benjamim Taubkin, his brother, for a unique encounter where they could share a musical universe full of diaphanous, oeniric and purely romantic images.
Waltzes, slow sambas, classical vanguard, fellinian and jobinian songs: Daniel Taubkin's voice strolls through distinct rythms, dissonances, and gains a texture of feelings, colors and sounds wich unveils a mature and fully developed singer, capable of extending the emotions to beyond his singing skills.
The beauty of Daniel Taubkin's cd resides not only on the refined repertoire or due the company of fine musicians - such as the special guests, Teco Cardoso and Rodolfo Stroeter -, but its also sensed by the impressions and sensations left after each audition: that the music has led us through a world of dream and magic, where everything is so unexpectable and at the same time, so familiar. And maybe, that's the reason why it is of such a rare, strange beauty.
sobrecapa capa
ficha técnica

1. Disse Alguém - Fernando Marinho Falcão
2. Pote de Ouro - Daniel Taubkin/ Ciro Pessoa
3. Todo Coração - Arrigo Barnabé/ Eduardo Gudin/ Roberto Riberti
4. O Navio - Daniel Taubkin/ José Wilson Lopes
5. Londrina - Arrigo Barnabé
6. As Cores - Daniel Taubkin/ Fernando Marinho Falcão
7. Luar - Arrigo Barnabé
8. As Dádivas do Amante - poema de Carlos Pena Filho/ música de Daniel Taubkin
9. Cidade Oculta - Arrigo Barnabé/ Eduardo Gudin/ Roberto Riberti
10. Caprichos - Poemas de Fagundes Varela e Castro Alves/ Música de Daniel Taubkin
11. Astronauta Perdido - Arrigo Barnabé
12. Sky of my blues - Arrigo Barnabé/ Hermelino Neder/ Carlos Rennó
13. Sinhazinha em Chamas - Arrigo Barnabé
14. Fim (Lástima) - Arrigo Barnabé

Daniel Taubkin voz e violão
Arrigo Barnabé piano acústico (Yamaha G5) e voz em Luar
Benjamim Taubkin piano acústico (Yamaha G5)

• Participações afetivas
Teco Cardoso flautas baixo e em sol em Pote de Ouro
Rodolfo Stroeter contrabaixo em Disse Alguém

• Gravado no Nosso Estúdio, em São Paulo, em 24 canais analógicos, por Luizinho Mazzei
• Mixado e masterizado no Mosh Estúdios, em São Paulo, por Sandro Estevam e Walter Lima
• Mixagem produzida por Rodolfo Stroeter
• Concebido e produzido por Daniel Taubkin
 

algumas palavras sobre o cd

   Após a realização de três CDs (*), que me deram muita satisfação, formados de composições próprias e em que tive a colaboração de mais de uma centena de competentes e generosos músicos, resolvi para esse meu novo projeto, além de incluir material de outros autores, optar por uma formação mais compacta, baseada na voz e em dois pianos como figuras centrais, dando ênfase à essência, ao coração das canções.
   As escolhas não poderiam ter sido mais felizes: Arrigo Barnabé e Benjamim Taubkin. Dois mestres em seus ofícios que têm em comum um comprometimento ético, atávico com a beleza, a singularidade, a discrição e o bom humor.
   Escolhi entre minhas canções aquelas que pudessem conversar com o piano de Benjamim e com a obra de Arrigo e que ao final lográssemos produzir uma trilha homogênea, com luz própria, que pudesse conduzir o ouvinte a uma viagem poético-sonora.
   Com Benjamim, gravei "Disse Alguém" do querido inventor paraibano Fernando Falcão (que ascendeu em Londrina, onde eterno transluz), canção que abre o disco, e mais cinco composições minhas: "Pote de Ouro", parceria com o instigante turista acidental Ciro Pessoa, "O Navio", parceria com o saudoso guerreiro José Wilson Lopes, composta em 1985 (no calor de um convite de Dori Caymmi para cantarmos juntos numa série de shows, onde apresentei essa música pela primeira vez); "Caprichos" são dois poemas dos contemporâneos Fagundes Varela e Castro Alves, que musiquei nos 80 para um projeto ainda inédito do dramaturgo e romancista José Antonio de Souza; "As Dádivas do Amante", apesar de escrito no final dos 50, é um clássico poema do pernambucano Carlos Pena Filho, o poeta do azul, a cuja obra fui apresentado, garoto, em Olinda, pelos luminares Ladislau Porto e Eufrásio Barbosa. E tem "As Cores", música minha que foi pintada pelas letras mágicas e surrealistas de Fernando Falcão.
   Toco violão em algumas faixas. Em "Disse Alguém" surge também o baixo do Rodolfo Stroeter, em contraponto com o piano do Benjamim. Em "Pote de Ouro" aparece só um teco das flautas do Manuel Carlos Cardoso, tão bonitas. Em "O Navio" ouve-se um lindo solo do meu irmão.
   A introdução em "Caprichos" é feita em tom maior, pelo poema À..., de Fagundes Varela, dedicatória à esposa Alice publicada em seu Livro Segundo de Cantos e Fantasias, de 1864, e a valsa introduzida em tom menor, é o poema Capricho, de Castro Alves, escrito em 1865. "Dádivas" acabou virando uma bossa/modinha que parece nos remeter àquele tempo filosófico de Paulinho da Viola. Em "As Cores", Benjamim gravou vários canais diversificando timbres, regiões e tessituras do piano forte, como num canvas, numa tela.
   Falei da minha vontade em cantar canções do Arrigo, primeiramente ao professor e maestro Claudio Leal Ferreira. Queria ter a oportunidade de apresentar músicas desse inventor uma oitava abaixo, já que as mesmas até então, tinham sido gravadas - em sua maioria - por mulheres.
   Em 1998, assistindo ao bonito espetáculo de Caetano Veloso no Beacon Theatre em NYC, por ocasião do lançamento do seu disco Livro nos EUA, ao introduzir uma nova canção, eu o vi vestindo os óculos e em tom quase solene proferir um discurso em inglês, inteligente e bem articulado em que ele fazia analogias entre a música popular e a erudita contemporâneas, enquanto lia trechos de sua Verdade Tropical e mencionava, entre outros, John Cage, Schoenberg, Stravinsky, Berio, Stockhausen, Philip Glass, rap e música eletrônica. E concluiu cantando "Doideca", uma composição sua que é puro Arrigo Barnabé. Bastava tê-lo mencionado. Mas não o fez...Acho que foi naquele momento que nasceu o desejo de gravar Arrigo Barnabé.

Daniel Taubkin

(*) BRAzSIL (Blue Jackel, USA-Indigo/Exil, Europa-1998- Trama, Brasil - 2000), A PICTURE OF YOUR LIFE (Blue Jackel/Lightyear/WEA, USA - 2002) e CINEMA DE RUA (inédito)

 

   "Lástima (FIM...)" foi a primeira canção que escrevi. Em 1973, em Londrina. A música "Clara Crocodilo" já havia sido apresentada nos shows Na boca do bode, mas Clara não era canção. E eu sentia necessidade de fazer melodias por duas razões: primeiro, por gosto e depois por exercício. Engraçado, minha primeira canção começa com um trítono (intervalo de 3 tons, paradigma da dissonância). Era um período de desesperança, ditadura, repressão, censura...
   "Londrina" eu fiz em 1978/1979, já em São Paulo. É meio felliniana, memórias da minha cidade. Também era tentativa de afirmação geográfica, tipo "Sou do Paraná". Quem diria, virei paulistano. Os acordes de 4ª continuam presentes como em "Lástima", mas já num universo lírico, com caminhos inesperados.
   "Sinhazinha em chamas" é de 1981. Eu penso nela como uma modinha, cheia de segundas pessoas e palavras "velhas" como carmesim. Acho muito "brasileira" essa canção.
   "Cidade Oculta" de 1985, parceria com Eduado Gudin e letra de (Roberto) Riberti, já traz a marca do profissionalismo dos parceiros, com um acabamento redondo, competente mesmo.
   "Astronauta perdido", eu fiz em 1984. Gosto muito dessa canção, da letra e da música, muito bem resolvida, começando dodecafônica, mas muito espontânea, com a condução da mão esquerda criando uma atmosfera estranha e atraente.
   "Sky of my blues", que a exemplo de "Cidade Oculta" foi tema de filme (A Dama do Cine Shangai) é uma canção do Hermelino Neder e Carlos Rennó. Eu fiz apenas os compassos iniciais, de "Because..." até "...heaven". Também uma canção redonda, bela, letra particularmente feliz de Rennó.
   "Todo Coração" reúne novamente os parceiros de "Cidade Oculta". Engraçado que a primeira parte é um tema que eu fiz para o filme Janete, de Chico Botelho, de 1983, era um tema para um palhaço, interpretado pelo Luiz Armando Queiroz. O Riberti gostou muito dessa pequena valsa e começou a escrever a letra. E o trabalho só foi retomado em 1996, quando o Gudin fez a belíssima 2ª parte, e finalmente em 2000, o Riberti terminou a letra. Que história!!
   "Luar" é uma valsa de 1995, e eu escrevi a letra em 2000. Foi a última letra que escrevi, estou em outra orientação agora, outros caminhos... a música eu escrevi sob o impacto da morte de Tom Jobim. A letra começou a surgir durante uma pneumonia, em julho/agosto de 2000. Também cheia de palaras antigas, velhas, palavras que minha mãe gostava como: flamboyant, quedou (do verbo quedar), grinalda, falenas (noite alta céu risonho...e as estrelas tão serenas qual dilúvio de falenas...). E também de soluções encontradas por Augusto de Campos para sua versão do "Pierrot Lunar", de Schoenberg... flores-luz... eu vou morrer de brancura (morro de brancura)...
   Bom, aí apareceu o Daniel (Taubkin), que eu não conhecia, e chegou cheio de entusiamo, mas eu achei que nunca daria certo um projeto comigo ao piano, já que eu não tenho exeperiência de acompanhar cantores, pois como pianista eu sou um compositor. Mas ele insistiu, disse que era isso que ele queria, e foi me convencendo...(Até a fazer o piano em "Sky of my blues). Eu gosto muito da forma como ele canta essas canções, me identifico com essas interpretações. Bem, prá resumir, foi o encontro do otimista com o pessimista. E ficou muito legal.

Arrigo Barnabé

 

   Irmãos - esta palavra que tantos significados tem em nossa cultura. Tão próximos por um lado, e com experiências tão diversas, por outro...
   O universo da música sempre nos aproximou; embora tenhamos tocado tão pouco juntos em nossas vidas. A minha participação neste disco é, acredito, para nós, uma espécie de recuperação deste hiato.
   Ao Daniel sou grato por várias razões. Pelos sons que entraram na minha infância, e princípio da adolescência, por ele trazidos. Pelo seu afeto. E por aproximar pessoas queridas.
   E por compor, em sua vida, canções tão bonitas que tornam tão musicais estes encontros.
   Esta, a minha metade.
   Mas o cantor especial aparece na outra, com o Arrigo. Daniel faz parte desta tradição, um pouco desaparecida em nossos dias, dos intérpretes da canção brasileira. A modinha, a valsa, estão todas aí. A leveza e a densidade das lindas composições do Arrigo, estão inteiras na compreensão e no canto de Daniel Taubkin.

Benjamim Taubkin

 

Com açúcar, com afeto

   De alguma maneira, vou construindo com pessoas que me cercam elos de vida. Sou elado com pessoas. De alguma maneira possuo um elo com todos os Taubkin. Benjamim, Míriam, Daniel e João Mário fazem parte do meu universo afetivo e musical.Juntos realizamos muitos projetos, idéias e troca de música.
   Daniel é uma antena perceptiva e sensível. Sabe captar e transformar sua antena numa expressão vocal de grande qualidade (fato raro num Brasil de cantoras).Compositor de fina sensibilidade, leitor de mão cheia (conhece poesia e compõe para textos com fina argúcia), é também um oculto humorista e um agitado personagem da paulicéia desvairada.
   A um só tempo, o CD combina autores de universos distintos, como o pouco e injustamente conhecido Fernando Falcão, o próprio Daniel, e ainda promove uma reeleitura deliciosa da composição de Arrigo.
   Eu disse a Daniel e acho que o Arrigo é um seresteiro do século 21. No entanto, pela primeira vez, ouço com clareza e nitidez, todas as nuances composicionais que a música dele contém.
   Corajoso como linguagem, a música aqui contida é de uma nudez que jamais será castigada. Trazendo o próprio Arrigo ao piano (que delícia ouvir um compositor tocando sua própria música!) , além da presença sempre sensível e econômica de Benjamim. Um piano e voz, ou melhor pianos e vozes que vão passeando pelo ouvido da gente. Às vezes aparece um violão daqui, uma flauta dali, um baixo muito discreto. E pronto.
   Música que flui e faz pensar na possibilidade da diferença e na similaridade do oposto. Castro Alves, Barnabé, Taubkin, Fernando Falcão, Carlos Penna Filho, etcéteras. São vozes de dentro do Brasil. São imagens e cores de um universo inteligente e sensível.

   Muitos votos de
   Com açúcar e afeto para todos que ouvirem.

Rodolfo Stroeter

 

   É raro ver personalidades musicais diferentes se integrarem com naturalidade ao realizarem um projeto conjunto. No entanto, é o que ocorre em "Uma Beleza Estranha" onde a emoção sempre à flor da pele de Daniel Taubkin e o espírito especulativo de Arrigo Barnabé se abraçam.
   Para Daniel, num primeiro momento, esse encontro, entre outras coisas, certamente significou o desafio de se lançar na teia traiçoeira das melodias de Arrigo. O que para Arrigo foi ótimo, já que lhe propiciou a oportunidade de, pela primeira vez, contar com um bom número de suas músicas gravadas por uma grande voz masculina.
   A forma que Daniel encontrou para superar o desafio, como cantor de expressividade não erudita, foi não fazer da perfeita realização das angulosidades dissonantes do fraseado de Arrigo sua maior preocupação - embora tenha se saído perfeitamente bem nessa tarefa. Em vez disso, poeta que é, sabiamente permitiu que suas habilidades e nuances interpretativas fossem guiadas, fundamentalmente, pela riqueza sugestiva dos textos, e o fez de forma tão convincente, que as acrobacias do fraseado - normalmente um inevitável foco de atenção da audição na música de Arrigo - ficaram relegadas a um segundo plano, como se pertencessem a canções populares familiares do nosso dia-a-dia.
   Belezas talvez não tão estranhas, mas nem por isso "menos belas", são as demais canções presentes no CD, que mostram, em sua maioria, o Daniel compositor de volta com grande força, deixando mais uma vez no ar a indagação que já vem de muito tempo: por que as principais vozes brasileiras o esquecem?
   Enfim, trata-se de um trabalho originalíssimo, feliz encontro de imensas sensibilidades musicais.

Cláudio Leal Ferreira

 

 

letras

 

lyrics

Disse Alguém
Música e letra: Fernando Marinho Falcão

Disse alguém
Sem querer
Que o amor parece
Um carrossel
No céu.

Eu girei
Sem parar
Tonto de tantas voltas
No ar

 

Someone said
Music and lyrics: Fernando Marinho Falcão

Someone said
Casually
That loves resembles
A merry-go-round in
The sky

I turned around
And around
Dizzy with all the spins
In high air

 

Pote de ouro
Música: Daniel Taubkin
Letra: Ciro Pessoa


Seu silêncio é mais que um pote de ouro
Tesouro, me faz esquecer
São pegadas na areia da praia deserta
O que resta, o que fica, o que vai

Sua voz quando fala amplifica
Multiplica o sentido e a vida me traz
O que sou

Sou a sombra da voz que você irradia
De dia, a noite se faz
Sou o vento lá fora soprando aqui dentro
O centro incerto no ar

Sua voz quando fala amplifica
Multiplica o sentido e a vida me traz
O que é

Seu silêncio é uma flecha num alvo vazio
Alívio, desvio e paz
É uma pluma dançando na beira de um rio
Viaja no nada…

Seu silêncio é uma flecha num alvo vazio
Alívio, desvio e paz
É uma pluma dançando na beira de um rio
Viaja no nada e cai.

* ciao amore, ciao amore, ciao…
(* Música de Luigi Tenco)

 

Pot of gold
Music: Daniel Taubkin
Lyrics: Ciro Pessoa


Your silence is more than a pot of gold
A treasure, it makes me forget
Like footprints in the sand of a
Deserted beach -
What remains, what stays and what goes.

When you speak
Your voice amplifies
Multiplies the meaning
And life brings me to who I am.

I am the shadow of
The voice you reflect daily
Night falls
I am the outside wind blowing inside
The uncertain center in air

When you speak
Your voice amplifies,
Multiplies the meaning
And life brings me
What it is

Your silence
Your silence is an arrow
On an empty target
Relief, detour and peace
It is a feather dancing by the river side
Which travels on nothingness
And falls…

 

Todo coração
Música: Arrigo Barnabé e Eduardo Gudin
Letra: Roberto Riberti


A glória de um coração
É ser todo senhor do amor
Não é saber sofrer uma saudade
Nem é estar a dar felicidade
É sustentar nas mãos a chama da paixão
Pra se aquecer, e se embeber com seu calor

A glória de um coração
É ser todo senhor do amor
Não é viver ou ter a realidade
Nem compreender porque um sonho arde
É escrever a trama de uma ilusão
Pra ser o som, pra ser a luz e o ator

Porque assim é todo coração
Que tem por dom a sua liberdade
E não há bem ou mal
Que cale a emoção
De um coração que quer se deslumbrar
Com o seu poder de amar...

 

Full heart
Music: Arrigo Barnabé and Eduardo Gudin
Lyrics: Roberto Riberti


The glory of a heart
Is to be love's master
Its not to suffer from nostalgia
Not even to go on bestowing happiness
For its to hold in one's hand the flame of passion
To derive warm and be swept away by its heat

The glory of a heart
Is to be love's master
It is not to live or pursue reality
Nor to realize why a dream goes up in flames
It is to write the plot of an illusion
To become the sound, the light and the actor

For thus is every heart with freedom as a gift
And there's no good or evil
That could silence the emotion
Of a heart which longs to be bewildered
With its loving power.

 

O Navio
(Gravação dedicada a José Wilson Lopes)
Música: Daniel Taubkin
Letra: Daniel Taubkin e José Wilson Lopes


Ver navios é viver
Ver navios é perder

Ter navios é poder
O vazio, solidão

Ver navios é ceder
Ver navios é morrer

Ser navio é romper
Vida, fio, luz, paixão.

Vai a noite,
Vira o dia
Todo dia esse sonho
Aprendiz

Longe o barco,
O farol
Céu aberto, um deserto
Nesse mar

E sopra o vento
Longe a ilha
Longe vai...

 

The ship
(For José Wilson Lopes)
Music: Daniel Taubkin
Lyrics: Daniel Taubkin and José Wilson Lopes


Watching ships means to live
Watching ships means to lose

Owning ships means to rule
The emptiness, the loneliness

Watching ships means to let go
Watching ships means to die

Being a ship means to break through
Life, thread, light, passion

Night vanishes
Bringing in the day
Every day this rehearsal of a dream

Far is the boat
The lighthouse
In the open sky,
This desert sea

And the wind blows
Far away is the island,
Away it goes…

 

Londrina
(Gravação dedicada a Fernando Marinho Falcão)
Música e letra: Arrigo Barnabé

Nuvens vermelhas no céu
Na terra silêncio, uma ave voava
O rádio anunciava a ave-maria
E dava uma saudade
Uma tristeza estranha
Uma vontade de chorar
Uma vontade de chorar
Ai, ai…

E a noite descia tranqüila
E a noite envolvia Londrina

Olha quanta luz no céu
Olha um avião voando sozinho
Sobre o perobal

E a sanfona tocava uma valsa triste
E a cabocla de flor nos cabelos
Cantava pra lua.

 

Londrina
(For Fernando Marinho Falcão)
Music and lyrics: Arrigo Barnabé

Red clouds in the sky
Silence on Earth, a bird flew over
The radio announced the sixth hour
And we felt so nostalgic
A strange sadness
A desire to cry
A desire to cry
Ai, ai

And night fell peacefully
And night embraced Londrina
Look at the lights in the sky
Watch, there's an airplane flying
All alone over the peroba trees

And the accordion played a sad waltz
And the native girl with a flower in her hair
Sang to the moon.

 

As cores
Música: Daniel Taubkin
Letra: Fernando Marinho Falcão


As cores que banham, pintam
Desenham meu ninho
Como um hipopótamo no ar

Peço que sempre que aconteças
Tenhas tudo o que desejas
Sejam as cores do mar

Mariana do rio
Mariana do ninho
Mariana do cio
Aripuá

Mariana desejos
Mariana sorrisos
É beijo sobre beijo
Amor sob o luar

São casas encantadas
São águas cristalinas
É ninho sobre ninho
Desejo de mar

Sou peixe por acaso
E lágrimas são setas
Carentes e discretas
Como a luz do luar

As cores que banham, pintam
Desenham meu ninho
Como um hipopótamo no ar

Peço que sempre que aconteças
Tenhas tudo o que desejas
Sejam as cores do mar.

 

The colours
Music: Daniel Taubkin
Lyrics: Fernando Marinho Falcão


The colors that wash and paint
Draw my nest
Like a hippo in mid-air

I beg that whenever you go
May you have whichever you wish for
As the colors of the sea

Mariana from the river
Mariana from the nest
Mariana in heat
Aripuá

Mariana desires
Mariana smiles
A kiss over a kiss
Love under the moonlight

They are enchanted houses
They are crystalline waters
A nest over a nest
longing for the sea

I am an accidental fish
And my tears are needy
And discrete darts
As the moonlight

The colors that wash and paint
Draw my nest
As a hippo in mid-air

I beg that whenever you go
May you have whichever you wish for
As the colors of the sea.

 

Luar
(Gravação dedicada a Antonio Carlos Jobim)
Música e letra: Arrigo Barnabé

Fluiu,
Floriu triunfalmente o luar
Brancura doce,
Infiltrando a noite

As flores-luz da lua vã,
Um grifo vem sonhar
Sussurram rãs, sussurram folhas
Farfalham as falenas
E onde a cotovia grinfa
Agora crispam rouxinóis
E a brisa brinca entre os flamboyants

Eu vou morrer de brancura a seus pés
Onde, luar, estará meu amor?
Muda quedou, a grinalda suspensa
E a nuviosa alma chora triste mas no céu…

Fluiu,
Floriu triunfalmente o luar
Resplandescente,
Implacável alvo

A clara luz delineou,
Nas sombras os jasmins
E no jardim um trovador
Inflama os corações:
Será que não existe amor,
Será que é tudo ilusão?
E a lua entre as nuvens se ocultou.

 

Moonlight
(For Antonio Carlos Jobim)
Music and lyrics: Arrigo Barnabé

The flow - triumphantly
Florescent moonlight
Sweet whiteness
Infiltrating, filtering the night

A griffen comes and dreams about
Flowers sprung by the vain moon
Frogs whisper, leaves whisper
Moths swagger and
Where the lark used to twitter
The nightingale now chirps
And the breeze plays with poincianas

I shall die of whiteness at your feet
Where, oh moonlight, might my love be?
In silence she kept - her bridal wreath suspended
And the overcast soul sadly cries, but in the sky…

The flow - triumphantly
Florescent moonlight
Resplendent,
A deadly target

The clear light delineated,
Jasmines in the shadows
And in the garden a troubador
Ignites emotion:
Could there be no love?
Could all be an illusion?
And the moon hid herself amongst the clouds.

 

As Dádivas do Amante
Poema: Carlos Pena Filho ( in "Vertigem Lúcida"1958 )
Música: Daniel Taubkin


Deu-lhe a mais limpa manhã
Que o tempo ousara inventar
Deu-lhe até a palavra " lã"
E mais não podia dar

Deu-lhe o azul que o céu possuía
Deu-lhe o verde da ramagem
Deu-lhe o sol do meio dia
E uma colina selvagem

Deu-lhe a lembrança passada
E a que ainda estava por vir
Deu-lhe a bruma dissipada
Que conseguira reunir

Deu-lhe o exato momento
Em que uma rosa floriu
Nascida do próprio vento
Ela ainda mais exigiu

Deu-lhe uns restos de luar
E um amanhecer violento
(Que ardia dentro do mar)
Deu-lhe o frio esquecimento
E mais não podia dar.
Lover's gift
Poem: Carlos Pena Filho [in " Vertigem Lúcida" 1958]
Music: Daniel Taubkin


The clearest morning
That time have ever dared to invent was given
Even the word "wool" was given
And more he could not give

The blue the sky possessed,
The green of the brush and
The noontime sun were given
And a wild mountain too

The past remembrance was given
And that wich was still to come

A dissipated mist,
That he had collected was given
Born of the wind itself,
The exact moment
In wich the rosebud bloomed
Was given,
She demanded even more

Moonbeam remains
And a violent dawn
(Wich burned into the sea) were given
Cold forgetfullness was given
And more he could not give.

 

Cidade Oculta
Música: Arrigo Barnabé e Eduardo Gudin
Letra: Roberto Riberti


Na cidade só chovia
Noite imensa, só havia
Luminosos, agonia
E a vida escorria pela escuridão

Nossas ruas eram frias
Como os homens desses dias
Engrenagens tão sombrias
Esquecidas pelos deuses a pulsar em vão.

Misteriosamente uma andróide
Gritou docemente
Me mostrou a vida, me encheu de cores
Desenhando um holograma em meu coração

Com seus olhos foi pintando um dia
Reinventando a alegria
Brancas nuvens de verão
E a poesia de repente volta a ter razão.
Hidden city
Music: Arrigo Barnabé and Eduardo Gudin
Lyrics: Roberto Riberti


It just poured in the city
Only billboards were lit
In the endless night
And life slid through the
Agonizing darkness

Our streets were as cold as
Men of such times -
Pulsating in vain like
Sullen gadgets
Forgotten by the gods

Mysteriously, an android
Yelled sweetly
Showing me life
She filled me with colors
Drawing a hologram
In my heart

She painted a day with her eyes
Re-inventing happiness
White summer clouds
And poetry, suddenly,
Made sense again.

 

Caprichos
Poemas: Fagundes Varela (1864) e Castro Alves (1865)
Música: Daniel Taubkin


Pensava em ti nas horas de tristeza
Quando estes versos pálidos compus;
Cercavam-me planícies sem beleza,
Pesava-me na fronte um céu sem luz.

(Mas) ergue este ramo solto em teu caminho;
Pois sei que em teu seio asilo encontrará!
Só tu conheces o secreto espinho
Que dentro d'alma me pungindo está!...

Ai quando brando vai o vento lento
A lua, nua a perpassar sútil
E a estrela vela e sobre a linfa
A ninfa suspira, mira o divinal perfil

Num leito feito de cheirosas rosas
Risonhos sonhos sonharemos nós
Revoltos soltos teus cabelos belos
Vivace, a face tremulante a voz

Cantos e prantos que suspira a lira
A alfombra a sombra encontrarei para ti
Celuta, escuta de meu seio o enleio
Vem linda, ainda há solidões aqui.

 

Caprice
Poems: Fagundes Varela (1864) and Castro Alves (1865)
Music: Daniel Taubkin


I thought of you in my sad moments
When I wrote this pale poem
I was surrounded by course plains
My head burdened by a lightless sky

So lift this loose branch in your path
As deep inside you will find shelter
You are the only one who knows
The secret thorn that stings inside my soul

Oh, when calm goes the slow wind
To the naked moon subtle passage
And the star veils and over the lymph
The nymph sighs behold the divine profile

In a bed made of fragrant roses
Laughing dreams we will dream
Rebellious, free your beautiful locks
Vivacious face tremulous voice

Chants and cries the lyre sighs
On the shadow, the lawn I will find for thee
Celuta, listen from my bossom the bond
Come beautiful, still there are solitudes here.

 

Astronauta perdido
Música e letra: Arrigo Barnabé

Há muitas naves pelo espaço
Todas procuram
O astronauta perdido
Ele viaja sozinho
Buscando a estrela mítica
Galadriel, Galadriel

É o veterano da amargura
É o vagabundo do espaço

Nem Blade Runner
Nem Flash Gordon
Um astronauta perdido.

 

Lost astronaut
Music and lyrics: Arrigo Barnabé

There are many spaceships
Looking in space for
The lost astronaut
He travels alone
Searching for the mythic star
Galadriel, galadriel

A veteran of grief
A wanderer of space

Neither Blade Runner
Nor Flash Gordon
Just a lost astronaut he is.

 

Sky of my blues
Música: Arrigo Barnabé and Hermelino Neder
Letra: Carlos Rennó


Because you were mine
And love was divine
So I was in heaven
What happened to us
I haven't forgotten anymore
Because love was new
And I was with you
In your paradise
Where there were two skies
Your blue eyes and many more
But I had to lose
The blue of your sky
Now I have to try
The sky of my blues

Now I miss your kisses, darling
But even so I'm in a kind of eden
For everything remains divine
In this pain of mine.
Céu da Minha Tristeza
Música: Arrigo Barnabé and Hermelino Neder
Letra: Carlos Rennó


Porque você era minha
E o amor era divino
Eu estava no céu;
O que aconteceu pra nós
Eu não esqueci mais,
Porque o amor era novo
E eu estava com você
No seu paraíso,
Onde havia dois céus,
Seus olhos azuis,
E muitos mais...
Mas eu tive que perder
O azul do seu céu;
Agora eu tenho que experimentar
O céu da minha tristeza

Agora eu sinto falta de seus beijos,
Querida, mas mesmo assim
Eu estou numa espécie de éden,
Pois tudo permanece divino
Nesta minha dor.

 

Sinhazinha em chamas
Música e letra: Arrigo Barnabé

Sinhazinha contigo
Eu sonhava
Toda em chamas
Delirava

Entre as sombras da noite
Tu vinhas
Me entregavas
Tão macia

Teus cabelos
Como seda
Tua pele
De princesa

E cedias
Tua boca
Pouco a pouco
Carmesim.

 

Sinhazinha in flames
Music and lyrics: Arrigo Barnabé

Sinhazinha, I dreamed
About you
All in flames
Delirious

You came in the midst of
The night shadows
And offered yourself
To me so softly

Your hair was as silk
Your skin of a princess
And little by little
You gave me your
Crimson lips.

 

Fim (Lástima)
(Gravação dedicada a Itamar Assumpção)
Música e letra: Arrigo Barnabé

Olha, desculpa
Eu não cantar mais
Pra você

É que também
Com tanta coisa
Acontecendo
Acontecendo...

Eu não consigo mais
Falar de amor.

 

The End
(For Itamar Assumpção)
Music and lyrics: Arrigo Barnabé

Look, excuse me
Not singing for you anymore

You see,

with so many things
Going on out there

I simply just cant talk
About love anymore.